Agricultura nos telhados poderia alimentar 39,2% da cidade do Rio da Janeiro

A prefeitura do Rio  acabou de divulgar um estudo avaliando o potencial para instalação de telhados verdes na cidade.  A pesquisa demonstra que 1.383 hectares  (13,83 milhões de m2) seriam prontamente adequados para a instalação de coberturas verdes intensivas para agricultura urbana dentro da região do estudo, o que poderia alimentar 39.2%  da população do Rio de Janeiro. Quase 90% dos telhados ficam fora desta avaliação.

O estudo entitulado ‘Potencial de Telhados Verdes na Cidade do Rio de Janeiro’ apresenta um mapa que avalia a adequação das superfícies de telhados existentes para a instalação de coberturas verdes na cidade do Rio de Janeiro, com base na inclinação do telhado. 

Recebemos a informação fresquinha durante a  aula que dei na PUC-Rio dentro do ciclo de Webinários Natureza na Cidade, através da professora Viviane Japiassú Viana, do Curso de Engenharia Ambiental da Universidade Veiga de Almeida. Confira o site com apresentação oficial do estudo através do link >> https://arcg.is/1G4ubz

Exemplo na produção de hortaliças no telhado do Shopping Eldorado em São Paulo.

O mapa do potencial de telhados verdes pode ser usado como um instrumento para identificar locais para telhados verdes em áreas densamente construídas, onde há poucas áreas verdes e espaço disponível.

O mapeamento baseado em imagens aéreas a laser, detectou todos os telhados com inclinação inferior a 5 graus em 69% da superfície da cidade do Rio de Janeiro (as áreas do Rio de Janeiro em expansão urbana), o que representa 830,93 km².

O mapa dá uma visão geral da distribuição espacial das áreas com maior potencial para instalação de telhados verdes na cidade do Rio de Janeiro.

– com base num rendimento de produtividade de 15 kg/m²/ano, se a cidade transformar apenas 53% da sua paisagem de telhados planos em jardins de cobertura, forneceria legumes suficientes para alimentar anualmente todos os habitantes das favelas (aproximadamente 1,4 milhões de habitantes). Além disso, estimularia uma melhor educação alimentar e forneceria legumes frescos diretamente nos pontos consumidores – as casas das pessoas. A agricultura de telhado poderia ser uma contribuição valiosa para a segurança alimentar, além de proporcionar outros benefícios, como a melhoria da capacidade de vida na cidade e a construção de comunidades;

– a comunidade “Vila Kennedy” apresenta o maior número de telhados planos: 22,5% da superfície total dos telhados é plana, o que representa 12,7 hectares de telhados;

– O distrito “Cidade de Deus” é a comunidade com a segunda maior quantidade de telhados planos: 17,6% da paisagem do telhado é plana, o que representa 11,4 hectares;

– As zonas de “muito alto potencial de cobertura plana” (≥ 64.000 m² por quadrícula) são exclusivamente em áreas onde a densidade populacional é alta ou muito alta (> 12.000 hab/km²). Isso mostra que a agricultura em telhados poderia ser direcionada nessas zonas-chave e beneficiar uma alta densidade de consumidores em uma distância relativamente curta, fornecendo alimentos locais e frescos diretamente para as residências.

Por que só os telhados planos?

A pesquisa focou nas coberturas planas exatamente pois são estas as mais facilmente ajustáveis à maior parte dos sistemas para telhados verdes disponíveis no mercado. Conforme a inclinação da cobertura aumenta, maiores são os desafios – e custos – para instalações estruturais e para o acesso de manutenção. E essa não é a situação apenas no Brasil: todos os sistemas disponíveis no mercado internacional também são mais ajustados à coberturas planas ou de baixa inclinação – o que significa que ao mesmo tempo em que temos 1.383 hectares de coberturas planas sendo consideradas para transformação verde, estamos deixando de lado 12,354 hectares de coberturas inclinadas.

De acordo com esse levantamento, quase 90% dos telhados do Rio de Janeiro estariam fora da mira, limitando muito o potencial de transformação que as coberturas verdes podem trazer para a cidade. Pensando nesta limitação técnica, desenvolvemos a primeira telha hidropônica do mundo, que não precisa de laje nem de impermeabilização para ser instalada, podendo ser aplicada sobre estruturas de madeira ou metálicas dos telhados já existentes, substituindo telhas cerâmicas ou de cimento em qualquer inclinação. Quer saber mais, confira a página da Kaatop >> www.kaatop.com

Feijões cultivados na telha hidropônica Kaatop, que facilita a instalação em telhados inclinados, sem laje e sem impermeabilização.

Os benefícios dos telhados verdes

Telhados verdes proporcionam múltiplos benefícios, reduzindo os riscos de inundação, economizando energia ao melhorar as características de isolamento dos edifícios e reduzindo o efeito de ilha de calor urbana. Além disso, os telhados verdes podem ter uma função recreativa e fornecer um habitat valioso para a vida selvagem, especialmente para aves, morcegos e insetos. A utilização de telhados verdes para fins agrícolas permite a produção de alimentos frescos e locais diretamente na área da cidade.

Para a implantação do seu jardim na cobertura, é importante verificar o direito de utilização do último andar do edifício (altura máxima do edifício). Estas informações podem ser encontradas no documento que regulamenta o zoneamento da cidade, que está no Decreto 322/1976. O decreto Qualiverde considera o uso da cobertura verde e pontua essa iniciativa para quem busca qualificação.

Este mapa foi criado pela Dra. Maeva Dang e pela Professora Doutora Michelle Sampaio (LAÇOS Laboratório de Ações Sustentáveis, UNIRIO). O estudo foi realizado no âmbito do estudo de doutorado da Dra. Maeva Dang na Universidade de Tecnologia de Viena (TU WIEN), com o apoio do Instituto Pereira Passos – Prefeitura Rio e TerraGIS Consultoria & Geoprocessamento.
Você pode baixar o artigo completo de referência aqui >> The potential for rooftop agriculture in the city of Rio de Janeiro: Growing capacity, Food Security and Green Infrastructure  https://iopscience.iop.org/article/10.1088/1755-1315/410/1/012016

1 comentário Adicione o seu

  1. José Sidney Silva disse:

    Como Eng. Agrônomo, estamos trabalhando com projetos de hirtas urbanas. Parabéns pelo trabalho!

Deixe uma resposta