Que venha (logo) a Era dos Jardins – Welcome the Garden Age

O biológo norte americano Stephen Jay Gould ficou famoso por formular sua teoria segundo a qual a evolução, ao invés de ser uma linha contínua de transformação, se dá através de saltos disruptivos. Isso também se aplica à evolução humana: da mesma forma que inovações tecnológicas nos levaram à Idade das Pedras, do Bronze do Ferro e do Plástico,  das revoluções industriais à revolução digital,  talvez já esteja na hora de darmos um salto adiante e evoluir para a Idade dos Jardins. (english version in the botton).

Com o advento da urbanização em massa, já se prevê que em breve 70% da população global estará se aglomerando nas megalópoles que se espalham como doença pelo planeta, substituindo extensas áreas verdes por áreas construídas secas e áridas em sua grande maioria. Os jardins nunca foram tão necessários como são hoje – mais do que um luxo, os jardins são peças fundamentais para corrigir o baixo padrão de qualidade de vida entregue pelo modelo de (des)envolvimento urbano caótico, popularizado nos dias de hoje.

Pode-se até dizer que já há uma certa intenção acumulada no ar para que isso aconteça – basta ver que em toda cidade temos dezenas de bairros com o adjetivo ‘jardim’ no nome: Jardim Angela, Jardim Aeroporto, Jardim das Cruzes, Jardim das Rosas, Jardim do Éden…. espalham-se jardins para todos os lados, mas só nos nomes. Salvo algumas poucas excessões, geralmente de bairros mais abastados (denominando um pequena região delimitada na cidade de ‘Cidade Jardim’), as cidades estão mais próximas hoje do que poderíamos chamar de Jardim das Trevas do que qualquer outro tipo de jardim.

Asfalto, cimento e barro queimado se espalham por todos os lados, afogando as raízes das árvores no solo urbano e tomando lugar de praças, terrenos baldios, confinando a vida urbana a pequenos repositórios e resquícios de vegetação que já não dão conta nem mesmo de se reproduzir, quiçá produzir serviços ambientais básicos  na quantidade necessária para garantir o bem estar da população – estou falando de produção de sombra, controle de temperatura e da qualidade do ar, controle biológico de pragas, doenças e aumento de biodiversidade. Se proliferam as ilhas de calor, tornando a vida urbana cada vez mais, e mais, insalubre.

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O que nos motivou a empreender com os telhados verdes foi a possibilidade de transformação rápida e em escala que eles podem proporcionar. As tecnologias para a transformação urbana já existem e estão cada vez mais disponíveis, assim como diversos casos de sucesso que demonstram como as cidades podem fazer políticas para disseminar e incorporar rapidamente as inovações que não param de nascer. O que falta de fato, é pressão popular para criar vontade política.

A quantidade de benefícios que as tecnologias de infraestrutura verde urbana proporcionam para os usuários e para as cidades podem ter um papel fundamental na adaptação e preparação das áreas urbanizadas para enfrentar os desafios trazidos pelas mudanças do clima. É isso o que está acontecendo em todo o mundo neste momento –  projetos de todos os tipos para incorporar os benefícios do verde nos mais diferentes aspectos da vida urbana estão saindo do papel e criando (literalmente) vida nas cidades.

Para dar um exemplo, considerando-se apenas o mercado de telhados verdes (lembrando que os telhados e coberturas são responsáveis pela maior proporção de ocupação da área da superfície total urbana – em algumas regiões, elas chegam a contabilizar mais de 80% do total em área) os números de 2015 que temos acesso demonstram que apenas 1 MILÉSIMO dos 11 bilhões de telhados e coberturas comercializados anualmente no mundo todo são verdes, a grande maioria deles na Europa. Isso quer dizer que apesar da crescente necessidade de adaptação de infraestrutura urbana e dos esforços para desenvolvimento do mercado de coberturas verdes, o mundo continua instalando telhados secos.

Meu sonho é ampliar radicalmente a escala de aplicação dos telhados verdes e outras tecnologias de infraestrutura verde urbana, de tal forma que um dia, muito em breve espero, possamos olhar para trás e ver quão atrasados e rudimentares eram os materiais que utilizávamos para cobrir nossas edificações – da mesma forma como olhamos para trás e estranhamos o mundo sem comunicação móvel, computadores portáteis e internet, acredito que as gerações do futuro não vão entender porque, por tanto tempo, cobrimos nossas construções com barro, pedra, ferro e piche – ao invés de jardins. Que venha logo a era dos jardins!


Welcome the Garden Age.

The American biologist Stephen Jay Gould was famous for formulating his theory that evolution, instead of being a continuous line of transformation, occurs through disruptive leaps. This also applies to human evolution: just as technological innovations brought us into the Stone Age, Bronze Age, Iron Age, and Plastic Age, from industrial revolutions to the digital revolution, it may be time for us to take a leap forward. and evolve into a Garden Age.

With the advent of mass urbanization, it is anticipated that soon 70% of the global population will be clustering in megalopolises that spread like diseases across the planet. Thus gardens were never as necessary as they are today – more than a luxury, they are key pieces in mending the low standard of living delivered by the chaotic urban development standard popularized today.

One might even say that there is already a certain intention in the air to make it happen – just see that in every city we have dozens of neighborhoods with the adjective ‘garden’ in the name: Angela’sGarden,Airport Garden, Garden of the Crosses, Garden of the Roses , Garden of Eden…. gardens everywhere, but only in names. With the exception of a few wealthier neighborhoods (which literally appropriate the name ‘City Garden’), cities are closer today than we might call the NO-Garden than any other kind of garden.

Asphalt, cement, and burnt clay are scattered everywhere, drowning tree roots in urban soil and replacing squares, vacant lots, confining urban life to small repositories and remnants of vegetation that can no longer secure your own survival, so imagine to produce basic environmental services in quantities necessary to ensure the well-being of the entire human population: biomass and shade production, temperature and air quality control, biological pest control, disease and increased biodiversity, just to list some of them. Heat islands and flooding sites proliferate, making urban life increasingly chaotic.

What motivated me to undertake with the green roofs was the possibility of rapid and scalable transformation they can provide. The amount of benefits they bring to users and cities can play a key role in adapting and preparing urbanized areas to meet the challenges of climate change.

Technologies for urban transformation already exist and are increasingly available, as well as a number of success stories that demonstrate how cities can do to rapidly disseminate and incorporate ever-emerging innovations. What is really lacking is popular pressure to create political will – old generations are not really sure about radical greening, but this is what is happening all over the world right now – a plenty of projects of all kinds to incorporate the benefits of green into the most diverse aspects of urban life. Bioconstructions, biomimicry, composting, recycling …

To give an example, considering only the green roofs market (remembering that they are responsible for the largest proportion in total urban surface area) the 2015 numbers that we have access show that only 1 MILLION out of the 11 billion roofs and roofs sold annually worldwide are green, most of them in Europe. This means that despite the growing need for urban infrastructure adaptation and efforts to develop the green roofing market, the world continues to install dry roofs.

My dream is to radically expand the scale of green roofing and other urban green infrastructure technologies, so that one day, I hope very soon, we can look back and see how backward and rudimentary were the materials we used to cover our buildings – just as we look back and weird the world without mobile communication, laptops and the internet, I believe future generations will not understand why for so long we have covered our buildings with clay, stone, iron and tar – rather than gardens.

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