Plantamos trigo no telhado do Jockey Club – CasaCor 2018 São Paulo

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Há praticamente 10 anos temos batido na tecla da agricultura urbana em telhados, mas em 2019 pela primeira vez conseguimos tirar a idéia do papel a apresentar esta solução na prática para uma audiência ainda maior – e possivelmente a mais exigente: fomos convidados pelo Studio Arthur Casas e Renata Tilli Paisagismo para implementar este telhado verde com 200m2 sobre a cobertura extremamente leve do novíssimo sistema construtivo Syshaus – durante o seu lançamento na exposição Casa Cor 2019. A iniciativa foi um sucesso e para celebrar, resolvemos publicar este estudo de caso especial para você que ainda não se rendeu aos telhados verdes. Inspire-se e lembre-se: a única segurança alimentar possível é aquela que podemos ver em nossos quintais – e porque não, em nossos telhados.

Primeiro desafio – instalar o telhado verde sobre uma estrutura com capacidade para suportar apenas 50kg/m2 (peso saturado de água). Como o telhado já havia sido construído com telhas metálicas, sugerimos a aplicação de placas de isopor anti-chama para regularizar a superfície e permitir uma camada mínima de substrato para o cultivo.
Quando nos aventuramos a utilizar sistemas de cultivo muito leves, uma preocupação que surge é com o peso de lastro nas bordas para evitar dados devido a ação dos ventos. Neste caso, uma camada mínima de pedrisco foi suficiente para garantir o resultado.
A mistura do substrato foi realizada diretamente sobre a cobertura, utilizando uma parte de camada inerte de baixo peso específico para garantir leveza.
Sobre a camada inicial inerte foi aplicada uma segunda camada para compor o substrato, agora com composto orgânico natural.
As sementes de trigo foram distribuídas à lanço, garantindo grande facilidade e velocidade de trabalho.
Aspecto geral da cobertura logo após os trabalhos de instalação inicial e plantio – tudo pronto, agora é esperar pela atração principal: as plantas.
Para garantir que a cobertura verde se mantivesse ‘verde’, ativa e bonita, foi instalado um sistema de micro-gotejamento, aplicando apenas o volume necessário para o bom desenvolvimento das plantas, sem excessos e desperdícios.
Apenas uma semana depois da semeadura os resultados começaram a aparecer – primeiros sinais de resultado positivo – e em boa companhia: combinado com os telhados verdes, os painéis fotovoltáicos atingem quase 15% a mais de eficiência na geração de energia, simplesmente por trabalharem dentro da faixa ideal de temperatura.
A iniciativa obteve grande divulgação na mídia – aqui, o arquiteto Arthur Casas, um dos mais influentes profissionais contemporâneos e idealizador do sistema Syshaus, sentado sobre o telhado verde logo após o plantio.
Trigo no telhado!!!!
O interessante é que este campo de trigo criou um aspecto de tapete verde, combinando com o estilo minimalista da construção.
Vegetação em destaque sobre a cobertura: conforto térmico e acústico, redução de enchentes e do efeito de ilha de calor são alguns dos ‘efeitos colaterais’ deste tipo de solução.
Casa Cor 2019 – a maior exposição de paisagismo e arquitetura da América Latina!!
Syshaus em evidência: milhares de visitantes passaram pelo Casa Cor 2019 para conferir as novidades e inovações do espaço – e o telhado verde  ajudou a compor o trabalho de ‘reconstrução da paisagem’ realizado pelo escritório Renata Tilli Paisagismo.
Após a finalização da exposição no Casa Cor, cada parafuso da casa modelo Syshaus foram desmontados, transportados e montados novamente em Campos do Jordão (SP), onde fazem parte do novo empreendimento do hotel Botanique Hotel & Spa. O telhado verde também acompanhou a obra – aqui, em fase final de re-instalação.
Todos os materiais do telhado verde foram reutilizados, inclusive o substrato e a palha do trigo, que foram ensacados e re-plantados em Campos do Jordão. Aproveitamos a oportunidade para realizar atividades de ‘Dia de Campo’ com nossos alunos do curso Introdução aos Telhados Verdes.
Com tanto amor e dedicação, o resultado não poderia ser outro. Agricultura sobre telhados é mais do que estética e beleza, é a possibilidade de dar utilidade e função transformadora a estes espaços tão negligenciados no urbanismo moderno.

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